Se entrou aqui é porque provavelmente coloca a si mesmo a hipotese de recorrer à ajuda de um psicólogo. Hoje em dia, procurar ajuda psicológica especializada acaba por fazer parte do quotidiano de muitas pessoas, pelo que é perfeitamente natural que em algumas fases da sua vida, crítica ou não, necessite de recorrer a um psicólogo. Não é vergonha alguma dizer que se anda num psicólogo, porque muitas vezes as potencialidades de nos sentirmos bem estão dentro de nós, nós é que não as vislumbramos.........



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

2012: combater a sensação de incapacidade e desesperança- parte I

Pois é, estamos a caminho de 2012 e nos meios de comunicação social apenas se veincula uma mensagem: desespero, falta de motivação, CRISE. Todos nós conhecemos os estados “cinzentos”, esses períodos de dúvida, indecisão, melancolia e desesperança. Todos nós acreditamos que o próximo ano será tão horrivel, que não vamos conseguir fazer face ao que ai vem, crença reforçada por tudo aquilo que ouivmos na televisão, lemos nos jornais, na internet, nas pessoas que não falam de outra coisa...é assim que se sente? Miserável? Sem saida? triste?


Demasiado miserabilismo, melancolia, desgosto pode fazer mal. Quando a desesperança se instala, desenvolve uma vida própria que já pouca ou nenhuma relação tem com as causas iniciais. Chegamos a um estado em que simplesmente se instalou o hábito de estarmos tristes. Ficamos com dificuldade em gerir as nossas emoções, estas deixam de nos servir, pela persistência no tempo, e viram-se contra nós. Tem então inicio a espiral descendente dos estados deprimidos e incapacitantes. Sentimentos negativos, irracionais e inadequados provocam pensamentos desesperados, que acabam por exacerbar ainda mais o estado de abatimento em que nos encontramos.


Ao sentirmo-nos sem forças para mudar o rumo à nossa vida, acreditamos que nada poderá mudar para melhor. É assim que os estados deprimidos conduzem de uma forma perversa, uma situação em que o nosso desalento nos parece mais que justificado. Sem dúvida alguma que quem cair neste círculo vicioso não pode ser feliz. A depressão é a antítese da felicidade.

Nas suas formas mais profundas a depressão é uma desordem de humor que requer tratamento especializado. Por isso, quem, ao longo de um período de mais de quatro semanas, se sentiu, durante a maior parte do tempo, sem valor e sem vontade de fazer nada, se sofre de cansaço constante, insónias ou até talvez tenha pensado repetidamente sobre a própria morte, deveria o mais breve possível conversar com um psicólogo sobre o assunto. Estes estado de abatimento diário não são só incomodativos, como também acabam por tornar-se em autênticos inibidores do prazer e da alegria de viver.


DESAMPARO APRENDIDO

 Para conseguirmos actuar contra os sentimentos e pensamentos negativos temos de perceber de onde eles vêm. Atualmente e de acordo com a abordagem da psicologia positiva, parte-se do princípio de que um estado de abatimento duradouro advém da experiência de uma situação desagradável e incapacitante para a qual e apesar de a pessoa se ter esforçado, não foi encontrada uma solução satisfatória. A pessoa aprendeu que independentemente dos seus esforços para combater a situação todas as suas acções obtém o mesmo resultado negativo, estamos a falar do “desamparo aprendido”.

E é assim que hoje os portugueses andam a viver: por muitos sacrificios que façam, a crise não vai melhorar, vamos perder cada vez mais o poder de compra, vamos perder os nossos beneficios, vamos perder regalias, não vamos conseguir viver...não estaremos todos a resignarmos a esta situação? E o que podemos fazer para mudar?

 
A reter: O abatimento surge devido à resignação.



Através de experiências particularmente frustrantes ou traumáticas, uma pessoa poderia aprender que seus comportamentos são insuficientes ou inúteis para mudar ou controlar os fenómenos a que se vê exposto. Tal estado de desamparo levará a pessoa à desmotivação, passividade, falta de agressividade, deficiências sociais e sexuais e apatia geral.


Que Fazer?

Na realidade, a coragem e a vontade de viver dependem muito mais do modo como avaliamos uma situação do que da situação propriamente dita. São as nossas crenças que determinam o que sentimos e como vamos agir em determinada situação. É modificando estas crenças que podemos mudar o nosso estilo explicativo para um estilo mais optimista. Para isto, usamos o modelo, ABCDE:


■A – Adversidade. A situação a analisar.

■B - Crenças (Beliefs). Aquilo que pensamos acerca da situação pode não ser totalmente consciente.

■C –Consequências dessa crença. A forma como agimos ou como nos sentimos, consequência dos pensamentos. Os sentimentos dão-nos a pista para descobrir o que pensamos.

■D - Disputar a crença que já faz parte da rotina. A parte mais importante do modelo: questionar as crenças que mantemos inconscientemente.

■E - Energia que ocorre quando se disputa com sucesso. Sentimento de bem-estar que se sucede após percebermos que não somos obrigados a ver as coisas da mesma forma negativa como antigamente.


Solução: A parte mais importante deste modelo é a da disputa, que nos permite distanciar das nossas explicações pessimistas para as podermos analisar. Esta deve ser feita como se estivéssemos a disputar as afirmações de outra pessoa que nos quisesse ver infelizes. Devem-se procurar objectivamente as provas que apoiem essa explicação pessimista e, caso os encontremos, questionar a utilidade de manter essa crença e quais as consequências de o fazermos.





COMO A DESGRAÇA SE AUTOMATIZA


Umas quantas frases lidas pode mudar o nosso estado de espírito, mas o inverso é igualmente verdade. O estado de espírito também influencia aquilo que percepcionamos. A percepção e a emoção são permeáveis nos dois sentidos. Quando estamos abatidos temos uma grande propensão para repararmos em frases, situações ou acontecimentos compatíveis com o nosso estado. Ao ler o jornal repara-se em frases do género “o futuro é negro”, repara-se mais nas profecias pessimistas do género “não conseguiremos sair da crise”, estamos mais susceptíveis a ler as notícias de desgraças e pessoas sem sucesso.

Esta tendência para a confirmação pessimista do estado deprimido, tem uma razão de ser, o nosso lobo frontal, é uma parte do cérebro responsável pelas nossas memórias e também responsável pelas emoções, ao estabelecer ligações entre os dois canais de informação (memórias e emoções) gera-se uma tendência que todos nós temos para recuperar recordações tristes quando nos sentimos desanimados e deprimidos. É como se víssemos o mundo através de uns “óculos escuros”, a tendência do cérebro é manter esse estado de espírito negativo, é fá-lo escolhendo os estímulos que condizem com a situação emocional vivida. Pensamentos obscuros, experiências negativas, acontecimentos traumáticos, fracassos e recordações amargas adquirem primazia, ocupando a nossa consciência e atenção.


Desta forma, como já só vemos desgraças em todo o lado, o organismo reage de forma coerente. Os pensamentos negativos, passam a ter quase a totalidade da atenção de processamento do cérebro. O nosso cérebro é capaz de se aperceber de uma ameaça real, mas igualmente de uma imaginada, dando-lhe a mesma importância. Imaginamos até ao mais ínfimo pormenor aquilo que poderá vir a acontecer e preocupamo-nos com aspectos e acontecimentos altamente improváveis. O facto de pensarmos neles, gera mal-estar. isto mostra-nos até que ponto o fluir dos pensamentos e fantasia influenciam o nosso estado de espírito. Muitas vezes é a capacidade que temos para imaginar a infelicidade que nos torna infelizes.

Tente não lhes dar grande importância....



Então o que podemos fazer para combater a sensação de incapacidade e desesperança?


TRANSFORME O PENSAMENTO OU O SENTIMENTO EM ACÇÃO


Uma forma eficiente de mudar a visão de um problema é simplesmente mudar aquilo a que se está a dar atenção. Em vez de se concentrar na sua vida interior entre em acção. Em vez de se centrar em colocar a si mesmo questões complicadas, como por exemplo, “porque estou com este problema?”, “o que há de errado comigo?”, “o que fiz eu para merecer isto?”, sugiro que faça perguntas que sejam variações destas: “porque razão continuo a fazer, pensar e a prestar atenção ao que me coloca em baixo e que não é útil, que outras coisas poderia pensar, ou focar para alterar a situação em que me encontro?”

Recomendo-lhe que faça perguntas iniciadas por: com?, ou o quê? Por exemplo, em vez de se questionar porque só me acontecem a mim estas coisas desagradáveis e incapacitantes?, ou porque fracassam sempre as minhas relações amorosas?, faça perguntas mais produtivas, como o que posso fazer para alterar a situação? ou, como devo agir para que as minhas relações no futuro possam ser melhor conseguidas?


ALTERNATIVAS PARA ESCAPAR À INFELICIDADE


Nós sentimo-nos desmotivados e deprimidos quando o cérebro carece de actividade. Esta é a razão pela qual a natural reacção à infelicidade não ajuda: quem se desmobiliza acaba por tornar tudo ainda pior, pois o cérebro vê-se privado dos estímulos que lhe permitem retornar à actividade. A falta de vontade para enfrentar as mais pequenas tarefas do dia-a-dia, a paralisação dos sentimentos e do raciocínio vão crescendo.


A reter: A inactividade não é uma receita aconselhável contra o abatimento.

Podemos enfrentar estes estados de desânimo na nossa vida através de uma dupla estratégia:
■Esforçar-se para manter as pequenas tarefas e actividades do dia-a-dia, principalmente as mais subtis, vestir-se adequadamente, fazer a cama, alimentar-se, sair com os amigos, ir ao cinema, passear, lavar o carro, ir às compras.

■Controlar e dirigir os próprios pensamentos e sentimentos, de forma a que a ruminação e a sensação de tristeza profunda não se torne um hábito.



ESCAPAR AO DESÂNIMO

Sabe-se hoje que a actividade física promove as sensações e sentimentos positivos. A actividade física é um importante aliado do tratamento antidepressivo devido ao seu baixo custo e sua característica preventiva de patologias que podem levar uma pessoa a situações de stress e depressão. Os estudos que relacionam a actividade física à depressão têm verificado que as pessoas que praticam actividade física de forma regular reduzem significativamente os sintomas depressivos. Para além dos benefícios da libertação de endorfinas (“químicos do bem-estar”) no organismo, a prática esportiva permite ainda que a pessoa volte a sua atenção para as boas sensações que o corpo lhe transmite. É restabelecida a ligação às sensações corporais, permitindo desta forma um processamento de estímulos de bem-estar, devolvendo à pessoa o ânimo esquecido. Só o facto de estarmos conscientes de que conseguimos realizar algo para o nosso bem, e contra a resistência do comodismo, ajuda a afastar os estados deprimidos e melancólicos.


Algumas formas complementares para ajudar a gerir as emoções e ter controlo na sua vida, têm a ver com duas actividades “naturais” e ambas restauradoras das nossas energias: O relaxamento e o sono. E uma outra, mas pela negativa, causadora de tensão, frustração e sobrecarga: o Stress. As duas primeiras são armas que podemos e devemos utilizar para nos restabelecermos e melhor controlar os nossos estados de ânimo. Acontece, que perante as situações negativas da nossa vida e consequentes situações de incapacidade e desesperança, estes dois requisitos são tremendamente afetados pelo terceiro (o stress), prejudicando-nos ainda mais a clareza de pensamento e motivação. Desta forma, se está numa situação negativa da sua vida, com pensamentos derrotistas, de incapacidade e desânimo, pondere praticar algumas  técnicas simples de combate ao stress, relaxamento e melhorar os estados de insónia.

SOU CAPAZ DE ME AJUDAR

Acredito que numa situação em que tudo nos corre bem, em que estamos a ser produtivos no trabalho, as nossas relações desenvolvem-se de forma saudável, andamos animados e com boas perspectivas de futuro, possamos não ter necessidade de nos preocuparmos ou ocuparmos com algumas das actividades atrás referidas. No entanto quando a situação é inversa, devemos fazer o esforço de nos voltarmos para nós mesmo e dizer: ” Sou capaz de me ajudar”. Sim você é capaz de se ajudar a si mesmo, mas para isso é necessário mudar a perspetiva negativa que criou de si, do mundo e dos outros. É necessário alterar a perspetiva de vítima, para uma perspetiva de produtor, de actor, de protagonista da sua vida. É você que pode escrever diariamente o guião da sua vida, com uma grande vantagem, se ao produzir e executar esse guião (falas, comportamentos e sentimentos) não estiver como pretendido, pode sempre ter a possibilidade de reescrever novamente o guião, antevendo e imaginado o que quer dizer, fazer ou sentir e que estratégias vai utilizar para se assegurar que irá acontecer como deseja. Você tem a possibilidade de se ajudar a si mesmo.

Como já verificámos, o abatimento e a desmotivação, apesar de terem relação com os acontecimentos da nossa vida, estabelecem igualmente relação com a forma como interpretamos as coisas para nós mesmos, e o que fazemos para resolver os nossos problemas.. A estratégia a utilizar é desafiando esses mesmos pensamentos e implementar pequenas actividade com base no que você estabeleceu no seu guião de vida. Em seguida produza o seu próprio filme da “felicidade”. Não se iluda, você pode escolher aquilo que pretende sentir e o que deve fazer para lá chegar. Coloque-se no papel de produtor da sua vida e promova sensações de bem-estar e de capacidade.















quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Solidão: porque tendemos a sentir-nos tão sozinhos?



Nunca tivemos tanta facilidade na comunicação e ao mesmo tempo tanto isolamento como o que temos temos hoje. Se a Internet nos permite uma rápida ligação com as pessoas e nos favorece tanto a amplitude nos contactos, porque será que as pessoas tendem a sentir-se cada vez mais isoladas?

As salas de “chat” na Internet são exatamente um atractivo para as pessoas solitárias, sempre em busca de alguém com quem se possa gastar (desperdiçar?) algum tempo, sem comprometer a privacidade de cada um.

Por que esse tipo de contacto é tão procurado? Esta é uma maneira de envolver-se parcialmente, de esconder-se. É uma alternativa a um contacto sem compromisso, uma falsa aproximação, onde cada um faz apenas um contacto superficial, sem envolvimento real.

São vários os factores que parecem "empurrar" uma pessoa em direção aos relacionamentos “internéticos”, indicando que talvez esse comportamento não seja uma escolha, mas sim uma imposição.

Um dos factores é o medo. O contacto directo tornou-se perigoso. Quem é a pessoa que se aproxima e com que intenção?: Quantas são as vezes que em consulta me referenciam “Não tenho amigos porque sei que as pessoas se aproximam de mim por interesse. Em algum momento sei que me vão pedir alguma coisa. Já vi isto inúmeras vezes sei que pode acontecer novamente...

Um segundo factor é a competição nos vários sectores da vida diária individual. O outro é aquele que compete comigo no trabalho, no curso, na própria família, no sexo. O outro, ou a outra pode chamar mais a atenção do que eu. Assim, é preciso manter a distância e a privacidade.

O afastamento um dos outros, na verdade é um processo lento. Nas cidades do interior, por exemplo, antes da existência da TV, as pessoas levavam as cadeiras para as calçadas à noite, e ali ficavam a conversar com os que passavam. Será que hoje isto é possível ainda observar? Com o aparecimento da TV, as pessoas começaram a recolher-se, absortas com as programações, e automaticamente mergulhando nesse afastamento sem se perceberem.

Outro ponto é decorrente também da competição que se estabeleceu: a necessidade da informação. Essa necessidade “encurtou” o nosso tempo, pois a minha competência ancora-se naquilo que eu sei, no meu saber, na minha formação. Esse preparo é ampliado aos filhos, que também correm atrás do tempo.
Portanto, corremos com eles e por eles...

A falta de tempo instalou-se sorrateiramente na vida de cada um de nós de tal forma que a convivência tornou-se raridade e o isolamento estabeleceu-se como uma forma de vida inflexível e até irreversível.


Sem se aperceber, o ser humano adoeceu no isolamento, mas nem por isso mudou internamente. Continua carente de convívio e de relacionamentos profundos. Verdade?

Ter amigos e conviver profundamente com eles é a receita terapêutica para nossa saúde emocional...

Você ainda acha que a solidão é uma escolha?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Acabe com o stress treinando a sua mente: viva tranquilo


O stress é um instinto. O corpo reage quando se depara com uma ameaça real ou imaginária. A pressão arterial sobe, a freqüência cardíaca aumenta, a respiração fica ofegante, os músculos ficam tensos, dá dor de barriga. Alguma vez sentiu stress? De certeza que a resposta é "sim". 

Observem o que eu disse ameaça real ou imaginária, você pode tanto estar a ser atacado por uma pessoa furiosa como pode estar a imaginar que o seu namorado vai terminar consigo- você “percebeu” que ele está ultimamente com um ar distante, ou imagina que o seu chefe vai demiti-lo porque esta semana ele exigiu-lhe mais do que o normal. Independente de estas situações serem verdadeiras, se lhe passou pela cabeça que o seu chefe o vai demitir o corpo acredita, e acreditando começará a reagir como se fosse verdade. Na realidade o seu cérebro não sabe o que é real, tudo o que  você pensa, como o que  você vive de facto, é percebido pelo cérebro como realidade.   

A repetição dessa reação do seu corpo ao stresse faz com que você produza hormonas que podem ser perigosíssimas, podem desencadear desde uma simples dor de cabeça como a um enfarte. 


Sintomas relacionados com o Stress 

Os sintomas psicológicos podem ser: ansiedade, tensão, confusão, irritabilidade, frustração, ira, ressentimento, hipersensibilidade, você fica muito reactivo, passa a ter dificuldade na comunicação com as pessoas, afasta-se das pessoas, e o pior, sente-se isolado, insatisfeito com o trabalho, com a vida, aparece a fadiga mental, prejuízo do funcionamento intelectual, perda da concentração, da espontaneidade, da criatividade e  da auto estima. Enfim, você começa a odiar-se!   

Os sintomas físicos: Aumento da pressão sanguínea, problemas gastrointestinais, fadiga física, sudorese, problemas de pele, dor de cabeça, distúrbios do sono, etc.

Sintomas comportamentais: “Deixar para amanhã”, evita o trabalho,  você fica menos produtivo, uso e abuso do álcool e drogas tanto legais como ilegais, come em excesso, o que leva a obesidade, ou come muito pouco, depende de cada pessoa, a que costuma ter pouco apetite, em stresse esse apetite some de vez, quem tem mais apetite vira um leão para comer, e em casos de stresse mais graves pode acontecer até tentativa de suicídio.


Stresse interno e Stresse externo

O stress pode vir de fora de, como por exemplo problemas com a família, trabalho, amigos, ou pode ser interno, quando se luta com um conflito emocional, por exemplo, quando a pessoa se impõe a padrões muito elevados,  só se aceita se estiver tudo perfeito na sua vida, sofre um sstresse que ela mesma criou. Outros conflitos emocionais são as ansiedades, frustrações, angustias, mágoas, decepções, raivas, etc.

Consequências do stress

A principal hormona envolvida neste processo é o cortisol. Quando o stresse é passageiro a produção do cortisol é pouca, o suficiente apenas para o deixar alerta, o que é bom, porque lhe permite enfrentar a ameaça, mas se o stresse for crônico, todos os dias, toda a hora, a sua cabeça vive com mil preocupações como, por exemplo,  você remoendo o pânico de procurar emprego,  o marido que nunca chega cedo a casa, o seu chefe que sempre o acusa de erros nos seus relatórios, é essa timidez que o deixa sem graça diante das pessoas. Cada um destes eventos vai produzindo cada vez mais cortisol no seu seu organismo. O que é um perigo, tanto mental como físico, pois aumenta o risco de acumulação de gordura nas paredes das artérias, eleva a pressão arterial, enfraquece os glóbulos brancos, e com isso reduz a capacidade do organismo lutar contra as doenças. Já ouviram falar das tais doenças psicossomáticas? Do psicológico afectando o nosso corpo? Tudo começa por aí. Você passa por problemas psicológicos, traumas, torna-se emocionalmente debilitado e chega a um momento em que o corpo padece também.

Depois de anos de estresse o corpo começa a desmoronar: a memória vai diminuído, o sistema imunológico fica enfraquecido, ou seja,  você fica muito mais susceptível a tudo o quanto é doença e nem sabe porque, hipertensão, problemas de estômago, problemas dermatológicos, dificuldades digestivas, etc.

Porque é que algumas pessoas não se stressam?

Existem pessoas que passam por fortes situações, perdem um ente querido, por exemplo, e ainda assim superam, claro que com dor, luto, mas conseguem levar a sua vida normalmente. Não é porque a pessoa não gostava desse ente querido, gostava e muito. Existem pessoas que vivem com a agenda lotada 14 horas por dia de obrigações, coisas para fazer, trabalho e responsabilidades, e ainda assim vivem sem stresse, enquanto outros se desestruturam totalmente. Ou seja, algumas pessoas têm uma boa capacidade de enfrentamento e outras não têm, ou num dado momento têm boa capacidade de enfrentamento e em outro momento já vai tudo por água abaixo.


Pode ser que o individuo stressado nem sabe qual é a fonte de stresse, isso você percebe quando não há nada de muito mau na sua vida, mas ainda assim está morto de cansaço: “aparentemente minha vida não tem nada de catastrófico, mas eu não estou bem”. A resposta é:  você não dispõe de armas pra vencer o stresse.


Enfrentar os problemas

Enfrentar significa usar uma das três saídas:

1ª superar o problema,
2ª evitar o problema ou
3ª conviver com o problema.

Ou seja, ou você elimina o problema, ou evita do problema, ou aprende a conviver com ele. Isso é enfrentamento. Ex: O seu casamento  está a ser um problema, mas você não consegue resolver nem consegue sair do problema (não consegue separar-se), e nem dá para aprender a conviver com ele, aí sim, chegamos no stresse.  Você está num beco sem saída, está stressado.


O que fazer para combater o stresse 
 

Relaxar. Fácil falar, não? “Relaxa!” Já ouviram algo assim? É irritante, mas não deixa de ser verdadeiro, pois relaxando o corpo produz mais oxido nítrico, molécula antídoto contra o cortisol.     

Como relaxar  
Aprendendo a flexibilizar o pensamento. Aprender a pensar racionalmente. Aprender a resolver os problemas do dia a dia. Usar o lado esquerdo do cérebro - por mais que digam que se deve desenvolver o lado direito, que é o lado das emoções e da criatividade, na realidade o lado direito é responsável pelo descontrole emocional, quando  você fortalecer o lado esquerdo, que é o lado da lógica, do raciocínio, da atenção e do controle das emoções, você vai conseguir mais equilíbrio e paz de espírito. Quando você não consegue sozinho você pode contar com o trabalho do psicólogo e da psicoterapia.

Como a psicoterapia age no combate ao stresse?

Tratando da ansiedade e da depressão, ou seja tratando do seu estado psicológico. A psicoterapia faz esse serviço. Tanto a Terapia Cognitiva Comportamental como a psicanálise tenta ensinar a identificar os pensamentos automáticos destrutivos e a reavaliar a sua vida. Muitas pessoas sofrem por fazerem uma interpretação errada das situações do dia a dia. Por exemplo, uma pessoa acha-se imprestável e sofre porque vive como se isso fosse verdade, na terapia tem a possibilidade de identificar de onde vem essa idéia. Será que foi da sua criação? Será que a pessoa foi passando por situações negativas e repetitivas que foram estabelecendo esquemas negativos dentro de sua mente? O psicólogo trabalha para que essas crenças disfuncionais sejam corrigidas.    
 
Insegurança promove stresse

É preciso encontrar segurança interna. A pessoa segura não sente o stresse tão facilmente.  Ser seguro é perceber-se forte e resistente às emoções destrutivas. Não falo da percepção de segurança falsa, aquela adquirida com pensamento positivo, aquela coisa de acordar olhar no espelho e repetir “tu és lindo, forte e a tua vida é perfeita”, eu falo do pensamento racional, verdadeiro, que admite que haja adversidades, mas que  você pode encará-las como oportunidades de crescimento, sempre aproveitando a vida como aprendizagem. Aprender é sempre muito mais interessante do que nunca errar, nunca se deparar com o chefe chato, com o namorado que enrola, o trânsito, a chuva, o medo, etc.

Quando entendemos as situações que produzem stresse passamos a entender o próprio desgaste psicológico. stresse não é trabalhar muito e ficar cansado, isso  você recupera numa noite bem dormida, o verdadeiro stresse  é a “cabeça” cansada, a dificuldade em se tornar independente, a insegurança, a falta de auto-estima, o ciúme desproporcional e todas as situações onde você se sente vulnerável e incapaz de superar.

Desenvolvendo Recursos Pessoais

Um dos recursos pessoais mais importantes é o senso de auto-eficácia. Auto-eficácia significa que você acredita em  si mesmo,  você percebe que tem condições de enfrentar ou resolver os seus próprios  problemas. O senso de auto-eficácia pode ser adquirido naturalmente, ou seja, os sucessos que você teve no passado oferecem a base para perceber que poderá sair se bem nas próximas situações problemáticas da vida.
Quando a pessoa fracassa em algum momento da vida tende a considerar que as suas novas tentativas também vão dar em fracasso, o que não é verdade necessariamente, mas por não acreditar em si mesmo (não desenvolver o senso de auto-eficácia) nem tentará resolver o novo problema, o problema cresce, e pronto! Virou uma profecia que se auto realizou. Tanto achou que não iria resultar que não deu mesmo. 

Quanto mais fraco for o senso de auto-eficácia de uma pessoa, menos ela vai enfrentar os problemas e mais stressada ficará. Auto-eficácia é como uma lupa, se  você usar a mesma direito  você vai usar a lente de aumento e verá tudo de forma mais clara, tudo maior, mas se usar a lupa do lado contrário tudo fica muito difícil de ver. Auto eficaz é a pessoa que vê sua capacidade com a lente de aumento, e olha para os problemas com o lado que diminui. O stressado já olha os problemas pela lente de aumento, e mesmo sendo problemas pequenos ele os vê como insolúveis, insuperáveis.

Mesmo que a pessoa não tenha adquirido este senso naturalmente com a vida, ainda assim é possível desenvolve-lo através do trabalho do psicólogo, em psicoterapia.

Conclusão

Você pode treinar-se a se sentir melhor, independente do que esteja acontecendo na sua vida. O seu cérebro vai acompanhar esse treino e vai se alterar.  Você vai funcionar diferente. 

A decisão de ser feliz está em suas mãos. O estado mental está sob o nosso controle. Ele pode ser mudado com treinamento.